fico te inventando correndo descendo pulando as escadas e eu sou o seu cavalo sem sela selvagem num jogo assim marrom e livre no deserto e digo a todos essa é minha nova paixão. olha lá mundo a minha nova paixão de mentirinha que nem meu cheiro sabe. faria também um pixe em revolta rasgaria um quadro fauvinista tacaria fogo em vestidos brancos e ficaria comigo apenas uma folha perdida no meio da minha bolsa com notas fiscais. prometo que te conserto e te ajeito e te viro do lado certo e escuto seu peito e comento sobre ele e a gente canta duas músicas do cazuza e ensaia nossa próxima peça que vai ser baseada nos fatos mais irreais. ando tão rápida e sem fôlego que a garganta faz uma emenda com a tosse e o dedo cisma que não há maneira outra a não ser a escorrida em espaguetes para dizer que sim eu estou completamente alucinada pela possibilidade de talvez quem sabe um dia sei lá assim eu possa ser muito feliz sem as suas amarras. sem as minhas amarras geográficas e um marzão com mate quase todo dia. penso que um dia a gente vai rolar numa grama e vai cair no mesmo exato ponto e vai bater a testa uma na outra. aí seu supercílio vai abrir e a gente vai correr para o hospital mais próximo e de lá você sai com um band aid escroto que quando tira três dias depois deixa um rombo na sua sobrancelha. eu rio bastante da sua sobrancelha faltando e faço um apelido sobre isso. você aperta minha cintura e faz uma piada eu me jogo em cima de você e a gente dá o melhor beijo da novela das nove. ou de um cinema argentino caso eu esteja num dia de ouvir tango. já que tem dias que eu ouço tango o dia inteiro. quero também que a gente ande pelas ruas até você ler uma placa e fazer uma piada que eu não vou rir não porque não é engraçado. mas porque não pode eu ser assim tão sorridente de novo. porque quero que você conheça meu lado amargo que é pra quando a gente dividir o mesmo lado do sofá e eu estiver num dia muito triste você saiba que eu também existo muito máxima dentro da melancolia e do estresse. é que com você parece que não acontece esses momentos mas vão ter que existir porque não é normal nem mesmo para nós que fingimos não ser. falando em extra-coisas-de-outros-mundos esses dias eu vi a madonna muito muito perto tanto que quase que enxergo o pelo do sovaco dela caso tivesse algum. acho que não tem. mas fiquei imaginando que tem pessoas que são tão reais que parecem um holograma mesmo que quando na sua frente. ou que são tão hologramas que quando na sua frente parecem tão mais reais do que a gente mesmo. madonna por exemplo parece um tipo de ser humano que é muito mais humano e supersônico do que nós a platéia. no meio do show lembro que estou num protesto duradouro que melhor seria dito como uma angústia de um luto que não sei qual. parece todo dia que alguém morreu e eu ainda não descobri quem foi. mas se eu ficar me perguntando muito talvez eu descubra que fui eu. só que teria sido muito maluquice da minha parte não ter comparecido ao meu enterro. deixo para lá. tenho canalhices mais importantes para resolver. prometi que não escreveria sobre o rio na minha última semana de coluna no brasil. não porque não tenha nada a dizer mas sim porque tudo que eu queria dizer era um choro chatonildo que só combinava com as cafonices que eu ando escrevendo sem parar. estou puta. estou apaixonada. estou mentindo. estou amiga. estou desamigando. estou minguante. cheia e a puta que pariu. ninguém acredita na minha paz e nem na minha despedida. eu digo que vou embora e peço que não me perguntem quando volto. mas para você eu voltaria galopando pois sou seu cavalo. quero que lembre. se você me perguntasse quando eu volto eu até responderia uma data num formato de sorriso. mas para isso eu preciso sentir que num beijo você me engole. que me mastiga tanto que a vontade de ser em todos os lugares ao mesmo tempo vire só a minha saliva escorrendo dentro da sua boca. mantenho os segredos e as aparências bonitinho. posso também parar o tempo para fugir com você para qualquer lugar do mundo oriental desde que me reste sempre o maligno essencial e um lugar de eco para ouvir sua voz como se fosse um gigante. vou te amar ainda mais se te ouvir mais alto. tenho essa coisa complicada com o barulho. volto ao o maligno essencial. é que tudo tem que ser sempre dentro bem bonitinho dos meus conformes já que os seus são uma merda. o maligno porque sou controladora e sobre isso não minto. o essencial porque se não for do meu jeito você jamais vai encontrar sozinho o caminho da minha coxa. tiro minha blusa e continuo demoníaca. é coisa de pele. há muitos de muitos para esse texto ser um grande drama sobre ir embora e eu quase que faço isso a cada linha. poderia estar despejando todas as ansiedades reais que tenho vivido desde dezembro no rio de janeiro. mas não é nada curioso que eu tenha escolhido pela milésima vez me distrair com uma obsessão ao invés de procurar material poético ou crônico dos próximos passos de volta ao brooklyn ao fim dessa semana. pois estou fazendo isso desde dezembro. não notou? resolvo se existe mais coragem mas prefiro não. prefiro encontrar uma maneira de finalmente pendurar uma rede num aparamento que ainda nem existe. isso sim é bravura. paredes segurando gente com ganchos. sinto saudades da minha chaleira elétrica e de uma geléia de pimenta que fica boa com um queijo trufado. vou covarde e tremida e muito que bem distraída.
oi, tudo bem?
abri um email que não mexia fazia um tempinho e nele acabei me deparando com o texto de ‘toda terça um troço’ intitulado ‘maligno essencial’. me pegou de surpresa mesmo sabendo que toda terça tem um troço, afinal hoje é sexta, mas na terça não li seu troço e agora estou engatilhada com um monte de coisa depois de tudo que eu li. eu amo essa nalu (me desculpe não colocar as duas bolinhas em cima do u (eu nunca lembro como se chama)), a que escreve de forma visceral, me identifico de um jeito que não sei explicar.
eu costumava escrever, mas tem anos que deixei esse hobby de lado, fico dizendo pra mim mesma que até desaprendi a compor, como se algum dia eu tivesse sabido ne? eaheuihaueha mas enfim, eu só queria te escrever porque deu vontade, deu aquele negocinho no estômago te lendo e refleti sobre várias coisas e nem é porque eu fumei um, é porque a tua escrita causa isso nas pessoas, tenho certeza absoluta que não é só comigo.
já quis te escrever muito mais vezes, voltava atrás porque sempre achei que nunca ganharia a sua atenção, mas hoje, especialmente, isso não me importa, eu so precisava deixar um pouco alguns pensamentos sairem de mim.
foi muito bom te ler hoje, nalu, muito obrigada. te adoro pencas,
com carinho,
Marcele Aiache.
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