sim

velhas sentadas num banco de uma rua vazia fazem que sim com a cabeça quando a gente passa. o clima também concorda. mesmo quando parece dirigir o céu no oposto do que a gente gosta. vejo nuvem demais. tudo está no ar e ao mesmo tempo tudo está semente. não vejo mais espaço para dúvidas quando é o mundo que diz que sim. quando é o planeta que agora Gira tanto para fora de uma órbita conhecida que já não permite mais que a confusão entre estrelas mortas ou vivas impeça que tudo faça reluz no próprio estilo de jeans não lavado e tecidos arrebentados ou um botão extra no bolso do blazer. você que me lê e já sabe que quando não tem vírgulas é que o negócio é mais de documento do que invenção pode começar a imaginar a linda história que ando vivendo e que me recuso a fazer juz em expressões pobres. tudo que é rico demais quando nítido eu acho que não posso fazer caber na minha audácia de juntar palavrinhas medianas. eu disse outro dia que encontrei o material para poesia mais bonita que eu jamais escreverei. é achando que ninguém espera nada de mim que eu passo a esperar um pouco mais do precipício. é assim que eu vou até a beirinha e fico esperando que o penhasco grite de volta um convite formal para um pulo solo em terras de legos virados para cima. dessa vez me surpreendi ao não encontrar nada que me amedronta. ficou parecendo muita coragem mas era na verdade uma prova da lucidez num gosto novo. o que talvez seja a mesma coisa. no final talvez a lucidez seja a maior coragem que se propõe um ser nascido sob um céu fervendo em leão. logo eu que geralmente faço pouco caso dos lapsos de uma sabedoria interna! fui me aventurar em um vão que mais parece um grande salão de dança e ao fundo um tango e nos cantos pontudos os puffs amarelos para quando meus pés cansarem dos Giros desgovernados. o que quero dizer é que me perceber apaixonada por um amigo é o lugar comum-incomum maior e ao mesmo passo o calor mais interessante que eu me propus desde que comecei a ser uma pessoa de decisões pequenas em explosões de fogos maiores. alimento uma alegria em mim que preenche a agonia do rótulo. mas não nego que perco bastante tempo pensando em como vou pedir perdão ao brejo que me acolheu. no universo de sapas eu estou com os pés sujos de lama e desço até a ponta da escada para encontrar um soldado do exército americano que ao tremer os braços me serve folhas horrorosas. têm pouco branco a mostra nos papeis onde estão cuspidos uma grafia inglesa nas palavras mais feias que eu já li em toda minha vida. é o meu nome grande completo em uma fonte de serifa antes da palavra AGAINST com o nome grande completo de um amor da minha vida. voltei para nova york há menos de um mês e até agora eu estou mastigando três novos temas. o primeiro é como fazer melhor uso da palavra vertigem. o segundo é que só mesmo dois corpos muito afins podem fazer um jazz com traumas escolhidos. o terceiro tema é uma ideia simples sobre o que fazer com o resto da minha vida que não Gira nunca mais. o pasme e o drama não estão vencendo porque não há nem jogo e nem prêmio e nem muito menos acervo pessoal que aguente mais um cacareco emocional. basta de diários ou souvenirs neuróticos obsessivos. deixo coisas num galpão onde jamais voltarei. tudo que poderá vir a ser história da história daqui para frente inventarei eu mesma. continuo a observar muitas nuvens. vejo uma em específico que poderia ser um tigre do horóscopo chinês caso quisesse. mas observo que ela escolhe se espalhar pelo azul e continuar só nuvem. menos teimosa eu penso que talvez eu deva escolher não ser feroz e mística quando é possível assumir uma estética fofa e variável e feita com um pouquinho mais de água do que o normal. pelo menos uma vez. vai que eu finalmente choro. é um outro tipo de contrato com o sim.

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