o alongamento da expressão das minhas ideias: uma busca

eu deveria escrever um romance ou uma novela ou alguma coisa com capítulos organizados e devidamente revisados por horas. outro dia vi um menino que muito feliz disse que faltavam apenas duas mil palavras a serem revistas antes de publicar um novo livro. achei chique. aí fiquei pensando. eu deveria escrever um romance ou uma novela ou alguma coisa com capítulos organizados até que me vicie os olhos. queria eu inventar personagens. não acho que sou capaz de inventar várias pessoas. na verdade é mentira. é porque todas que inventei já estou usando. ou sou parcial ou sou insuportável. tenho medo do meio das histórias longas que poderia escrever. ainda sim escrevo teatro e escrevo filme. que aí não precisa muito de tanto meio nem tanto final nem tanto começo. me interessam os pedaços. um momento. aqueles que podem existir para um caralho em um dado respiro. pode ver que minhas histórias são assim. por isso que talvez ser fã de boyhood seja uma grande falha da construção dessa eu de hoje ao escrever isso. gosto do respiro visual bonito que é uma sobrancelha que fala tanto quando numa tela gigante. gosto de escrever a luz que entra quando acende um personagem no palco. gosto do texto meu que é cuspido e falado e respirado na propriedade de outra pessoa. é bom me ver sem estar me olhando. mas ainda não tenho o alinhamento vertebral e cerebral e emocional e nem a cadeira necessária para o comprometimento com um mundo outro quase-meu só que ao-mesmo-tempo-não. um dia eu acho que tenho certeza que vou beber a comemoração do último ponto da última frase da última página do último dos vários romances e novelas e as coisas com capítulos virginianos que escrevi durante anos muitos. mas para que isso seja possível eu preciso parar de usar o possível conteúdo em minha própria vida. principalmente antes de deitar a cabeça na fronha de cetim que é pra não amassar os cachos. um pensamento solto: imagina se no sonho eu apareço com cabelo sem definição. outro pensamento: que veio antes desse texto: que foi o que nos trouxe até aqui: existem histórias em minha cabeça precisando existir noutro momento que não quando estou lavando louça. certas coisas precisam ser re-bobinadas e vividas de outra maneira. mas por enquanto toda terça um troço. e poesia porque chega primeiro e eu não tenho nada a ver com isso. segue o melhor fim que encontrei: que resolvam-se os gêneros sozinhos em um grande aulão de grupo dentro da minha mente e que bebam uma água e façam essa yoga com uma legging que não escorregue o pé quando apoiado na coxa. alonguem-se.

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